sábado, 11 de dezembro de 2010

O trem da vida!


Lembro-me muito bem de quando João Eduardo, meu professor de matemática do PRÉ, deu a cada pessoa da minha turma um porta retrato com a foto da turma de pré e um papel que eu fiz questão de guardar e vou fazer questão de mostrar pros meus filhos e netos.
Nesse papel dizia: [...] há algum tempo atrás eu li um texto que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura muito interessante, quando bem interpretada. Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros. Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos que estarão sempre conosco: nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão orfãos no caminho, amizade e companhia insubstituível... Mas isso não impede que durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser mais especiais para nós embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos. Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio, outras encontrarão nessa viagem somente tristeza, ainda outras circularão pelo trem, prontas a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por este trem de forma que quando desocupam seu acento, ninguém sequer percebe. Curioso é perceber que alguns passageiros que nos são tão queridos, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o percurso, atravessemos mesmo que com dificuldades, o nosso vagão e cheguemos até eles... só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado para sempre. Não importa, a viagem é assim, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperanças, despedidas... porém, jamais retornos. Façamos essa viagem então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando em cada um deles o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento do trajeto eles poderão fraquejar e provavelmente precisaremos entender, pois nós também fraquejaremos muitas vezes, e com certeza, haverá alguém que nos entenderá.
Eu me pergunto se quando eu descer desse trem ( PRÉ-2009 - CNSC) sentirei saudades... acredito que sim. Separar-me das amizades que fiz será no mínimo dolorido, mas a vida me obriga a deixar esse trem. Deixar meus queridos alunos do pré 2009 continuarem a viagem sozinhos, será muito triste, mas é necessário, me agarro à esperança de que em algum momento estarei na estação principal e terei grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram, e o que vai me deixar mais feliz será pensar que eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa. O grande mistério afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, ou até aquele que estava sentado ao nosso lado. Façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranquila, que tenha valido a pena e que quando chegar a hora de desembarcamos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem do "trem da vida".

Eu não posso deixar de concordar com que João falou, a vida é mesmo uma viagem de trem, o trem que não conseguimos controlar, o trem que segue e nos deixa muitas vezes surpresos, o trem esse que costumamos chamar de vida e que nos leva onde ele quer, sem direito a paradas antes da estação mais próxima ou como ele mesmo falou, sem retornos. Então é isso aí, tentar viver intensamente, não desperdiçar um só segundo e amar as pessoas ao nosso redor são as únicas coisas certas que nos farão ser percebidos quando chegar nossa hora de desembarcar.

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